BB volta ao mercado internacional e capta US$ 750 milhões
Vice-presidente de finanças do banco diz que operação ajudou a atender investidores que haviam ficado de fora da emissão de janeiro
O Banco do Brasil voltou ao mercado internacional nesta segunda-feira, captando US$ 750 milhões em bônus perpétuos, numa operação semelhante à feita em janeiro, quando levantara US$ 1 bilhão.
A operação, na esteira de um intenso contato com investidores durante o Carnaval e no último final de semana, ajudou a atender investidores que haviam ficado de fora na emissão anterior, segundo o vice-presidente de finanças do BB, Ivan Monteiro.
"Atendemos uma demanda reprimida", disse Monteiro em teleconferência com jornalistas, ao revelar que os papéis atraíram demanda total de US$ 4,7 bilhões.
As condições da captação, no entanto, foram bastante superiores para o banco, que pretendia inicialmente levantar US$ 500 milhões e que, mesmo elevando o montante, pagou 108,50% do valor de face dos papéis e taxa para o investidor de 8,488%. Em janeiro, o banco aceitara pagar rendimento de 9,25% numa tranche de US$ 1 bilhão.
"O investidor entendeu melhor a estrutura da operação", disse Monteiro, sobre a operação coordenada por BB Securities, Bradesco BBI, BNP Paribas, Citigroup, HSBC e Standard Chartered.
Os papéis, subordinados e sem garantia, têm características híbridas tanto de dívida quanto de instrumentos de capital e incluem cláusulas que definem sua adequação às regras de Basileia II, mas se adaptando à versão posterior, de Basileia III, quando esta entrar em vigor.
Movimentação antes de Basileia III
A operação acontece 10 dias após o Banco Central ter colocado em audiência pública a proposta de calendário para adequação das regras regulatórias do país ao cronograma global de Basileia III.
Entre outros pontos, o BC propôs elevar o índice mínimo de alocação de capital, hoje em 11%, para 13% em 2017 (somados os capitais de nível 1 e 2), num cronograma que começa em janeiro do ano que vem e vai até o começo de 2019.
Além disso, as instituições deverão elevar a participação de capital de nível 1 (composto por ativos mais capazes de absorver perdas, num cenário de estresse). Com a captação de janeiro, o BB havia elevado o seu índice de Basileia a 14,3%.
Na semana passada, o Bradesco captou US$ 1,1 bilhão, em bônus de 10 anos, em instrumentos de capital de nível 2, apenas um mês depois de já ter acessado o mercado com uma captação de 5 anos de US$ 800 milhões.
O Itaú Unibanco reabriu em janeiro seu bônus com vencimento em 2021, levantando US$ 550 milhões.
A Caixa Econômica Federal já avisou que pretende ainda no primeiro semestre acessar o mercado internacional pela primeira vez, levantando cerca de US$ 2 bilhões em bônus.
Nenhum comentário:
Postar um comentário