quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012


Mulher que recebeu o coração de Eloá disse que credita que foi uma decisão corajosa da mãe da jovem de doar órgão.


Às 23 horas, do dia 18 de outubro de 2008, a voz da apresentadora do telejornal anunciou para a família Silva dos Anjos que Eloá Pimentel, 15 anos, tinha morrido.

Maria Augusta Silva dos Anjos, que recebeu o coração de Eloá. "O transplante me salvou"
Às 23 horas, do dia 18 de outubro de 2008, a voz da apresentadora do telejornal anunciou para a família Silva dos Anjos que Eloá Pimentel, 15 anos, tinha morrido.
A garota não sobreviveu após ser atingida por tiros disparados pelo ex-namorado Lindemberg Alves. Durante 4 dias, ele manteve o revólver apontado para a jovem, em um dos cárceres privados mais longos da história de São Paulo.
Sessenta minutos depois da notícia ecoar no apartamento da zona sul paulistana, a música gospel “Eu tenho um chamado” vibrou do celular de Maria Augusta Silva dos Anjos.
“Tinha acompanhado pela TV e pela internet todo o sequestro da Eloá. Orei muito por aquela menina. Chorei quando soube que ela morreu. Estava exausta, triste e, apesar de não desgrudar do telefone, deixei o aparelho em cima da mesa e fui tomar um banho para relaxar”, lembra Maria Augusta, em entrevista nesta terça (14).
As razões para o cansaço – e para tanto apego ao celular – eram as mesmas. Maria Augusta sofria de um problema grave no coração desde o nascimento. A doença deixava o fôlego curto, gerava desmaios constantes e dava a ela uma expectativa de vida reduzida. Tinha 39 anos na época e já estava na fila de espera para um transplante havia 2 anos e 4 meses.
“Eu ficava em sobressalto, grudada no telefone, na torcida para que o médico ligasse com a boa notícia de que meu doador tinha aparecido.”
O assassinato de Eloá – que hoje é julgado pelo segundo dia no Fórum de Santo André (ABC Paulista) – coincidiu com o início de uma vida que Maria Augusta nunca tinha saboreado: sem medicamentos e com privações até para beber água.
“Mas a informação de que o coração daquela garota, tão bonita e tão jovem, seria doado para mim deu um misto de sensações confusas”, lembra em retrospectiva Maria Augusta, após três anos e quatro meses do transplante.
“Eu estava muito feliz, mas ao mesmo tempo não conseguia esquecer a dor daquela mãe que perdeu a filha para a violência. Tinha poucas chances de sobreviver, talvez aquela fosse a única. Parti para o hospital Beneficência Portuguesa e, no caminho, rezei por aquela família e por mim.”

Um comentário:

  1. Advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, deixa o Fórum de Santo André ao som de vaias; júri será retomado hoje

    Squiavo foi a última testemunha a depor no julgamento de Lindemberg. Segundo o tenente, que liderou a equipe que invadiu o apartamento, o rapaz largou a arma logo após os disparos, mas resistiu a prisão. Ele afirmou ainda que a invasão aconteceu apenas após ter ouvido um disparo de arma de fogo no imóvel.

    A invasão aconteceu cinco dias após Lindemberg invadir o imóvel e render Eloá e sua amiga, Nayara Rodrigues. As duas foram baleadas após a invasão. Eloá, que era ex-namorada do réu morreu após ser socorrida.

    Segundo o tenente, a equipe responsável pelo gerenciamento da crise disse que as negociações não estavam avançando e que Lindemberg havia manifestado disposição de matar a refém. Com isso, foi determinado que se houvesse "um risco insuportável às vítimas" a equipe tática deveria intervir.

    HOSTILIDADE

    Ao ser retomado o julgamento na manhã desta quarta-feira, a promotora Daniela Hashimoto pediu a palavra e pediu para que as pessoas que não hostilizasse a advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad. Ela disse que as pessoas não podem confundir os atos do réu com o trabalho da defesa.

    A advogada de Lindemberg já tinha pedido, quando chegou ao Fórum de São Paulo, que as pessoas não a hostilizassem. "Não sou a acusada, apenas estou garantindo o direito de defesa de Lindemberg", afirmou ela na ocasião.

    Ontem, Assad foi hostilizada e vaiada na frente do fórum e criticou a imprensa. "A imprensa está sendo leviana comigo e isso está colocando minha vida em risco", afirmou.


    Ronickson Pimentel, irmão de Eloá, chega com a mulher ao Fórum de Santo André para o terceiro dia de júri


    RELEMBRE O CASO

    Eloá Pimentel, 15, foi rendida pelo ex-namorado no dia 13 de outubro de 2008 e mantida em cárcere privado por mais de cem horas dentro do apartamento em que morava em um conjunto habitacional do Jardim Santo André, em Santo André.

    Na ocasião, a adolescente estava em companhia de três amigos --dois garotos liberados no mesmo dia e de Nayara --também com 15 anos-- que, apesar de ter sido libertada 33 horas depois, retornou ao apartamento no dia 16 de outubro.

    O desfecho do caso ocorreu na noite do dia 17 de outubro quando a polícia invadiu o apartamento, alegando ter ouvido um tiro de dentro do imóvel. A acusação diz que o rapaz atirou contra Eloá e Nayara, causando a morte da ex-namorada e ferindo a amiga dela na boca.

    Durante as negociações, Lindemberg também teria atirado contra o sargento da PM Atos Valeriano. Ele foi o primeiro PM a chegar ao local e negociou a rendição de Lindemberg por cerca de 22 horas, até que o Gate assumisse.

    Lindemberg responde por 12 crime. Entre eles estão homicídio qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio (contra Nayara e contra o sargento Atos Valeriano), cárcere privado (contra Eloá, contra os dois amigos e duas vezes contra Nayara, por ter retornado ao cativeiro) e por disparos de arma de fogo.

    Lindemberg e Eloá namoraram por três anos e estavam separados havia um mês quando ocorreu o crime.

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